Racismo, futebol e a Copa do Mundo no Brasil
Como é bom ser preto no Brasil ! Sempre
tive essa sensação, quanto mais velado o preconceito maior era a minha certeza. Comecei
a conhecer as pessoas antes do aperto de
mão, isso sempre me deu uma grande
vantagem e também muita vertigem.
Nossa
democracia racial é parda, tem uma ambiguidade legal.
No
futebol, por exemplo, o negro vai de rei a símio, ambos inumanos, prontos para o
tribunal dos manos humanos.
Não
existe racismo no futebol, ele existe é
na sociedade, no convívio diário
das disputas e competições da vida. E o
futebol, uma paixão, transcende uma alegoria da vida como ela é.
Em
uma partida de futebol, não se joga somente o jogo da bola, mas sim o jogo da
vida dos humanos. E no jogo da vida, não
posso perder e ser menos que o vencedor
e, se preto for, preciso desqualificá-lo
e colocá-lo imediatamente na jaula para
acalmar o meu ódio racista velado.
O
racismo é o pior animal dentro de nós!
O
nosso macaco está dominado . Já podemos ir para a casa, voltar ao trabalho, dar
um sorriso para o porteiro, acenar para o gari, curtir Joaquim e sair para uma
pelada com os amigos. Um caminho cheio de pretos, mestiços e mulatos.
É
assim que vai acontecer a Copa do Mundo no Brasil, revelaremos tudo o que temos
de bom e de ruim, isso é bom e é ruim!
É
Como ser preto e branco no Brasil, um animal ambíguo apaixonado por futebol.
Marinho Silva

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